The demand for food continues to rise

Will we managed to get the job?

Hoje, de acordo com a estimativa mais recente das Nações Unidas, são 7,3 mil milhões — e poderão ser 9,7 mil milhões em 2050. Este crescimento, aliado à melhoria dos rendimentos nos países em desenvolvimento (que leva a mudanças na dieta, como o consumo de mais proteínas e carne), intensifica a procura global de alimentos.

Espera-se que a procura de alimentos aumente de 59% a 98% entre 2005 e 2050. Este crescimento determinará de maneira nunca vista as características dos mercados agrícolas.

Agricultores por todo o mundo precisarão de aumentar a produção, quer aumentando a área dos terrenos agrícolas, para que haja colheitas maiores, quer reforçando a produtividade nos terrenos agrícolas existentes através de fertilizantes, irrigação ou adoção de métodos novos, como a agricultura de precisão.

Contudo, as desvantagens ecológicas e sociais de desflorestar mais terrenos para a agricultura são normalmente elevadas, particularmente nos trópicos.

E, neste momento, o rendimento agrícola — a quantidade de produto colhido numa dada superfície cultivada — cresce demasiado lentamente para corresponder à procura prevista de alimentos. Muitos outros fatores, da mudança climática à urbanização e à falta de investimento, também dificultarão a produção de comida suficiente.

Existe um forte consenso académico de que a escassez de água, provocada pela mudança climática, o aumento da temperatura global e as condições atmosféricas extremas terão efeitos severos a longo prazo no rendimento agrícola.

Prevê-se que tenham impacto em muitas das maiores regiões agrícolas, especialmente as próximas do Equador. Por exemplo, o estado brasileiro de Mato Grosso, uma das regiões agrícolas mais importantes do mundo, pode enfrentar uma redução entre 18% e 23% em soja e milho em 2050, devido à mudança climática.

O leste da Austrália e o Midwest americano — duas outras regiões globalmente importantes — podem também sofrer um declínio substancial na produção agrícola devido ao calor extremo. Prevê-se, contudo, que algumas regiões beneficiem (inicialmente) com a mudança climática.

Países que se estendem pelas latitudes norte — sobretudo a China, o Canadá e a Rússia — experimentarão, segundo as previsões, épocas de cultivo mais longas e quentes em algumas regiões.

A Rússia, que já é um grande exportador de cereais, tem um imenso potencial não explorado de produção devido a grandes lacunas de produtividade (a diferença entre a produção atual e a potencial, nas condições atuais) e cada vez mais terrenos de cultivo abandonados (mais de 40 milhões de hectares, uma área maior que a Alemanha) depois da dissolução da União Soviética em 1991.

Este país tem, indiscutivelmente, a maior oportunidade agrícola do mundo, mas serão necessárias reformas institucionais e investimento significativo na agricultura e infraestruturas rurais para o realizar. Logística avançada, transporte, armazenamento e processamento também são cruciais para garantir que os alimentos são transportados dos locais onde são produzidos em abundância para aqueles onde não são.

É aqui que as empresas que comercializam produtos agrícolas de base, como a Cargill, a Louis Dreyfus e a chinesa COFCO, entram em cena. Enquanto as empresas de “Big Food”, como a General Mills e a Unilever, têm uma influência global tremenda no que as pessoas comem, as intermediárias têm um impacto muito maior na segurança alimentar, porque obtêm e distribuem os nossos alimentos básicos e os ingredientes usados pelas outras, desde o arroz, o trigo, o milho e o açúcar aos grãos de soja e ao óleo de palma.

Também armazenam periodicamente grãos e oleaginosas para que possam ser consumidos todo o ano, e processam os produtos básicos que serão usados mais abaixo na cadeia de valor. Por exemplo, o trigo tem de ser moído em farinha para fazer pão ou massa, e os grãos de soja têm de ser triturados para produzir óleo ou comida para os animais.

Mesmo que algumas regiões aumentem a sua produção e os comerciantes reduzam a discrepância entre oferta e procura, duplicar a produção de comida por volta de 2050 será inegavelmente um grande desafio. As empresas e governos terão de trabalhar em conjunto para aumentar a produtividade, incentivar a inovação e melhorar a integração em cadeias de abastecimento, para criar um equilíbrio sustentável.

Sobretudo, os agricultores, as empresas intermediárias e outros grupos de processamento têm de se comprometer em cadeias de abastecimento sem recorrerem à desflorestação. Esta causa uma rápida e irreversível perda de biodiversidade, é a segunda maior fonte de emissão de dióxido de carbono a seguir aos combustíveis fósseis e contribuiu significativamente para o aquecimento global — aumentando a pressão negativa na produção agrícola, razão pela qual, originalmente, a desflorestação ocorreu.

Os agricultores também têm de cultivar mais na terra em que operam atualmente através da chamada “intensificação sustentável”. Isso significa usar ferramentas agrícolas de precisão, como a dispersão de fertilizantes por GPS, sistemas avançados de irrigação e rotações de colheitas ambientalmente otimizadas.

Estes métodos podem ajudar a obter mais rendimento agrícola, sobretudo em partes de África, América Latina e leste da Europa, com grandes lacunas de produtividade. Também podem evitar o esgotamento das águas subterrâneas e a destruição de terrenos férteis pelo abuso de fertilizantes.

O sector agrícola precisa de importante investimento privado e despesa pública a longo prazo. Muitos dos grandes investidores institucionais, incluindo fundos de pensões e fundos de investimento soberanos, estabeleceram nos últimos anos compromissos importantes para apoiar a produção agrícola global e a comercialização — nem que fosse porque os investimentos agrícolas têm, historicamente, oferecido boas receitas.

Ainda assim, o investimento agrícola em muitos países em desenvolvimento diminuiu ao longo dos últimos 30 anos e gasta-se muito menos em investigação e desenvolvimento, em comparação com os países desenvolvidos — resultando em baixa produtividade e estagnação da produção. E, como a banca nos países em desenvolvimento concede menos empréstimos aos agricultores (comparando com a quota da agricultura para o PIB), os investimentos, tanto dos agricultores como das grandes corporações, ainda são limitados.

Para atrair mais financiamento e investimento para a agricultura, os governos devem reduzir os riscos envolvidos. Os reguladores têm de rever as políticas — como os limites máximos das taxas de juro e os créditos com condições especiais — que limitam a inclusão de pequenos agricultores no sistema financeiro. Políticas mais amigas e despesa pública em infraestruturas ajudarão a criar um clima de investimento favorável à agricultura.

Os legisladores a nível global, as corporações e os consumidores devem colocar o equilíbrio alimentar global no topo das suas agendas. Os líderes empresariais internacionais que participam nesta cadeia de abastecimento têm de comunicar melhor a necessidade de mudanças políticas e de os países desenvolvidos incentivarem o investimento em regiões onde há maior potencial de crescimento. A nossa segurança alimentar dependerá disso.