A Morte Silenciosa num Palmo de Água
Com a chegada da primavera a que se seguirá de imediato o verão e o apelo aos banhos, a Associação de Consumidores da Região dos Açores(ACRA ) vem emitir um alerta de tolerância zero. E, isso não acontece por acaso.
Com efeito o afogamento é a causa principal de morte acidental em crianças até aos 4 anos em Portugal. Não é uma fatalidade; é, quase sempre, o resultado de uma falha humana ou institucional, que resulta em tragédia.
O Alvo: Bebés e Crianças até aos 4 anos
Para um bebé, não existe “água pouco profunda“.
- 5 centímetros bastam: Um palmo de água é o suficiente para um bebé se afogar.
- Silêncio Absoluto: Ao contrário dos filmes, uma criança a afogar-se não grita nem chapinha. Antes, afunda-se em silêncio e perde a consciência em menos de 60 segundos.
- O Mito da Vigilância: “Vou só ali dentro buscar uma toalha e volto já!” é a frase que precede a maioria destes tristes e lamentáveis episódios.
A Armadilha do Quintal: O Risco do Consumo Impulsivo
As piscinas insufláveis e “banheiras” de jardim compradas por impulso são armadilhas montadas à porta de casa.
- A Ilusão do “Vazio“: Deixar uma piscina um balde alguidar que seja no quintal, mesmo “vazio“, é sempre um risco. Basta uma rega ou uma noite de chuva para acumular o nível de água necessário para matar um bebé que caia de rosto.
- A Regra de Ouro: Se não está a ser usado, o recipiente tem de ser esvaziado, seco e guardado num local inacessível. Quem não tenha tempo para este rigor, o conselho da ACRA é simples: não compre.
Responsabilidade: O Cidadão Vigia, o Estado e as Empresas Seguram
A segurança é um dever partilhado, mas com níveis de exigência diferentes:
- Cuidadores: Têm o dever da Vigilância Ativa. Se há água, a criança tem de estar à distância de um braço. Sem telemóveis, e outras distrações.
- Entidades, Autarquias e Profissionais: Para além dos cuidados acima mencionados quem explora espaços de lazer ou piscinas tem o dever técnico de garantir a segurança e o Dever Social de Segurar. O seguro de Responsabilidade Civil é obrigatório e fundamental. É a garantia de que a sociedade civil está protegida perante falhas de gestão, garantindo que nenhuma família é deixada ao abandono após uma tragédia, antes terá o devido amparo preconizado pela lei.
Dados Críticos
- Em Portugal, o afogamento ceifa dezenas de vidas todos os anos, com incidência traumática em idade pré-escolar.
- A maioria dos acidentes ocorre em ambientes privados e não vigiados, onde a falsa sensação de segurança baixa a guarda dos adultos.
Conclusão: Prevenir não é Opcional antes é um Imperativo.
Um acidente com uma criança é uma perda irreparável que destrói o futuro de uma família. Para a ACRA, a segurança do consumidor e, sobretudo, das crianças, está acima de qualquer momento de lazer.
Se é proprietário, exija segurança e seguros em dia. Se é pai ou cuidador, não facilite um segundo. A vida de um filho não tem preço, e a negligência institucional não pode ser aceite.
Ponta Delgada, 2026-04-14
Pel’O Secretariado geral da ACRA
Mário Agostinho Reis