Nove (9) Ilhas, 240 Mil Pessoas e um Impasse:

Quem Defende o Consumidor Açoriano?

O debate público nos Açores parece ter mergulhado num marasmo de silêncios táticos e cautelas excessivas. Entre o mutismo da oposição e as hesitações do Governo, a ACRA – Associação dos Consumidores da Região dos Açores recusa o papel de espetadora. Invocando o seu dever de contra-poder (Art. 18.º da Lei 24/96), viemos colocar os pontos nos is sobre dois temas que, embora distintos, asfixiam o nosso futuro: a pressão sobre o IVA e o Hospital Central Universitário (HCU).

Quando a Geografia não é Privilégio e a armadilha do IVA

Há uma pressão crescente da República para a “normalização” fiscal, não será de hoje que nos empurram para um aumento do IVA que reduza as transferências do Estado. A ACRA é clara: o diferencial fiscal nos Açores não é um favor, é um mecanismo de sobrevivência(Art.º 13.º da CRP). Num mercado fragmentado por 9 ilhas — onde São Miguel concentra 144 mil pessoas, mas o Corvo resiste com 340 — a economia de escala é uma realidade dura, senão cruel! Uma miragem não será certamente!

Aumentar o IVA num contexto de custos de transporte colossais é um atentado direto aos interesses económicos das famílias (Art. 9.º da Lei 24/96). É punir o consumidor pela sua insularidade. A ACRA não aceita que a autofiscalidade sirva de desculpa para Lisboa se demitir das suas responsabilidades constitucionais de coesão nacional.

O Hospital Central: Ciência ou Insustentabilidade?

Sobre o Hospital Central Universitário, ouvimos com atenção os alertas técnicos e políticos, como os do Vice-Presidente Artur Lima ou do Eng. Mota Vieira, sobre a escala e os custos. São preocupações legítimas: como sustentar um centro de ponta sem desviar verbas vitais das Flores, da Graciosa ou até mesmo do Corvo?

Não obstante, e recusando receber acriticamente toda e qualquer informação, a ACRA questiona se o modelo atual — o das Juntas Médicas e da dependência externa — será eficiente? O consumidor açoriano tem o direito a cuidados de “elevada qualidade” (Art. 5.º LDC) e à informação transparente (Art. 7.º LDC). Exigimos saber o custo real de não ter o HCU. Se o hospital for o motor para fixar cientistas e irradiar telemedicina para as outras oito ilhas, é um investimento na nossa dignidade. Se for apenas betão sem plano de escala, será um erro, quiçá, colossal! O que não pode continuar é o silêncio que impede o cidadão de decidir com base em factos. Por certo trará muitas mais vantagens para todos do que muitas outras políticas avulsas. E, quanto a isso que não haja ilusões.

O Limite da Tolerância

Em jeito de conclusão importa sublinhar que a ACRA não disputa o poder, mas fiscaliza-o na estrita medida que a lei lho permite ou exige, onde o limite será a Constituição da Republica Portuguesa.
Na circunstância, temos uma manifesta dificuldade em aceitar, pelo menos sem lutar, que o IVA, assim sem mais, seja usado como moeda de troca política, e que, o direito à saúde de ponta seja sacrificado por falta de visão estratégica! Incomoda-nos de sobremaneira que os Açores sejam olhados tão só como “9 calhaus” onde, a dada altura dá jeito ir colher mais uns votos! Pelo contrário, exigimos e respeito e a dignidade consagrada na CRP.


Em suma, a ACRA não aceita que o direito à saúde de ponta seja sacrificado no altar de uma gestão que teme a inovação, nem que o diferencial fiscal seja usado como moeda de troca política. A Autonomia não serve para gerir a escassez, mas para potenciar o desenvolvimento. Exigimos transparência e visão estratégica. Quem, por silêncio ou omissão, prefere manter o consumidor açoriano remetido ao marasmo e ostracizado no meio do Atlântico, terá de prestar contas não à ACRA, mas ao imperativo ético e legal de quem, em cada uma das nossas nove ilhas, exige ser tratado como cidadão de pleno direito. O tempo do ‘faz de conta’ acabou.”

Ponta Delgada, 2026-04-14

Pel’O Secretariado geral da ACRA

Mário Agostinho Reis

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Defender o Consumidor nos Açores

  A Importância de se unir-se à ACRA é o melhor “seguro cívico”

  Muitas vezes, a cidadania exerce-se nos detalhes do quotidiano. Todos já sentimos a frustração de um eletrodoméstico que avaria precocemente, de uma fatura de telecomunicações com cobranças indevidas ou de uma obra mal executada em casa. Nestes momentos, o cidadão sente-se frequentemente David contra um Golias corporativo. É precisamente aqui que a ACRA — Associação de Consumidores da Região Açores — faz a diferença.

  A ACRA não é um organismo do Estado, nem um partido político. É uma estrutura independente, feita por e para os consumidores, neste caso açorianos.    A nossa missão é clara: garantir que nenhum consumidor na Região tenha de enfrentar abusos sozinho. Como se usa dizer: sozinho, o consumidor é frágil; organizado, é respeitado.

  O fosso entre o Direito e a Justiça

  Um dos maiores obstáculos à defesa dos direitos é o custo financeiro. No mercado privado, o acesso à justiça tem barreiras altas. Uma consulta jurídica inicial pode custar, em média, entre 80€ a 150€. Se o caso exigir a redação de cartas, mediação ou acompanhamento de um processo, os honorários podem ascender a centenas de euros, muitas vezes ultrapassando o milhar de euros e desencorajando o cidadão de reclamar o que é seu por direito.

  A ACRA quebra esta barreira com um modelo de economia social e solidária. Ser associado da ACRA tem um custo anual de apenas 20€ — valor que pode ser liquidado em duas prestações semestrais de 10€. Este pequeno contributo, que equivale a cerca de 1,60€ por mês, garante a manutenção de uma estrutura profissional ao serviço de todos.

  Transparência e Apoio Real

  Para os seus associados, a ACRA oferece condições imbatíveis de acesso à consultoria técnica. Uma consulta especializada para sócios tem o custo fixo de 25€. Mas o maior diferencial surge no acompanhamento: a ACRA até hoje não cobra qualquer valor pela gestão dos processos, nem comissões sobre os valores recuperados pelos consumidores.

  Este compromisso de “custo zero” no processo — que pretendemos manter no futuro próximo — assegura que o benefício da reclamação fica integralmente do lado do cidadão. Na ACRA, o objetivo não é o lucro, mas a reposição da justiça e o equilíbrio das relações de mercado nos Açores.

  Um convite à Mobilização

  Ser sócio da ACRA é mais do que ter acesso a um serviço; é um ato de responsabilidade comunitária. Quanto maior for a nossa base de associados, maior será a nossa capacidade de pressionar por melhores práticas comerciais e maior será a nossa independência face aos poderes económicos.

  Não espere pelo próximo conflito para se proteger. Veja a sua quota como um “seguro cívico”: espera-se nunca precisar dele, mas, quando o problema aparece, é ele que garante que a sua voz será ouvida e os seus direitos respeitados. Como no jogo o segredo está na antecipação!

  A ACRA não é de Lisboa; é nossa, é de todos nós. Um consumidor informado e apoiado é, acima de tudo, um cidadão respeitado.

CIMARA – CENTRO DE INFORMAÇÃO, MEDIAÇÃO, CONCILIAÇÃO E ARBITRAGEM DE CONFLITOS DE CONSUMO DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

No dia 11 de dezembro de 2019, em Ponta Delgada, seis entidades – Governo dos Açores, Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, ACRA, Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, AICOPA e DECO – deliberaram, por protocolo, a criação do Centro de Informação, Mediação e Arbitragem da Região Autónoma dos Açores (CIMARA). A sua fundação deve-se ao projeto de financiamento que a ACRA submeteu e venceu no Orçamento Participativo de Portugal (OPP) 2018, bem como ao esforço e voluntariado dos seus dirigentes e trabalhadores. O CIMARA tem como objetivo a resolução de conflitos de consumo, nos termos da Lei n.º 24/96, através de informação, mediação, conciliação e arbitragem, sem prejuízo do regime legal vigente. Constitui uma associação de direito privado, cuja criação depende de autorização do Ministério da Justiça, nomeadamente da Direção-Geral de Políticas de Justiça.

Estrutura do CIMARA

  1. Serviço de atendimento e informação para aconselhamento, mediação e instrução de processos.
  2. Tribunal arbitral com, pelo menos, um árbitro.

Compromissos das Entidades Signatárias

  • Região Autónoma dos Açores: impulsionar a constituição do CIMARA, ceder instalações, garantir funcionamento itinerante e apoiar campanhas informativas.
  • Associação de Municípios: divulgar o CIMARA, encaminhar reclamações e garantir locais para o tribunal arbitral itinerante.
  • ACRA: promover informação junto dos consumidores, apoiar documentalmente e encaminhar reclamações.
  • Câmara do Comércio e Indústria dos Açores: incentivar a adesão dos associados, divulgar e encaminhar reclamações.
  • AICOPA: promover a adesão do setor da construção civil, informar e encaminhar reclamações.
  • DECO: divulgar o CIMARA, representar consumidores e fomentar a adesão à arbitragem.
O CIMARA representa um passo essencial para garantir, finalmente, aos consumidores um acesso a uma justiça efetiva e acessível.